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Tropeço

Às vezes há tropeços.
Às vezes você cai.
E nessas vezes parece que nunca,
A angústia não sai.
Parece que você precisa
estar bem o tempo todo.
Às vezes você recomeça,
Mas sem acreditar em algo novo.
Não há caminhos errados
Quando você aprende alguma coisa,
Quando você foi necessário,
Quando mudou uma pessoa.
Às vezes você senta na calçada,
Nessa estrada que nunca chega.
Parece que todo mundo sabe
O que fazer, o que lhe cabe.
Há pessoas que quebram seu coração,
De um jeito que é muito amargo,
Mas como no universo há perfeição,
Há outras que dividem o fardo.
Viver não é um problema,
A vida não é algo a se resolver.
Viver é ter esperanças,
Nem sempre é saber o que fazer.
Às vezes viver é tão simples,
que o universo coloca pausas,
para que você aprecie quem é,
para que não perca nada.
Viver exatamente não dói.
A dor é pelo formato das escolhas,
Queremos encaixar nossos desejos,
Confundimos coisas com pessoas.
Quando você tropeçar,
Aprecie o cenário que se apresenta.
Tem gente que luta par…
Postagens recentes

Morri

Morri para o mundo,
mas não nasci para deus,
não nasci para deuses,
não nasci para ninguém...
Quantos erros profundos,
Nada vale a pena,
Nada era meu,
A benção é do ateu.
Maldita mania,
Maldita menina,
Maldita esperança,
De viver todo dia.
Morri por dentro,
Morri sozinha,
Na poça de sangue,
Que me faz qualquer uma.
Não sou puritana,
Mas que valor isso tem?
Não sou um santa,
Mas tudo em troca do amém?
Morri nos braços dos sonhos,
Esse mundo é pesado demais para mim.
Esse mundo é cruel, mentiroso...
Esse é o mundo dos outros.
Morri, mas não chore,
Não contem a ninguém.
Morri e morreram muitos poréns.
Nada é meu,
Nenhum lugar me acolhe,
Eu não me encaixo,
Nunca me acho.
Sigo morta,
tomando café...
Fingindo saber
pra onde leva essa tal de fé.
Não quero velório,
Já estou velando meus sonhos.
Não quero enterro,
Nem flor, nem nada.
Quero que suas lágrimas,
molhem minhas palavras.
Talvez estejamos todos mortos,
Talvez os deuses velem nossos corpos.

Momento

Não era esse,
Não era essa,
Não era ele,
Não era ela.
Aguarde o próximo
ônibus, emprego, amor.
Fica pra próxima,
Depois eu te ligo.
Somos passagens,
Mas eu sou flutuante.
Alguns são paisagens,
Eu sou um instante.
Nessa passagem de vida,
Nada levo comigo,

Era pra ter sido...

Se não é para ser… Então nunca é. O existir só faz parte, Do ser como é. Ainda que fosse cedo, O passado não é uma benção. Muitas vezes um alívio, Apenas por não ser mais. Isso não era para ser... Se fosse teria dado certo. Seriam essas palavras soltas, Para que não venha o desespero? Se não é para ser... Talvez não haja um formato. Talvez a gente vá desenhando, No passo o nosso traço. E se foi mas não é mais, Creio que não foi de fato. Se tudo é aprendizado, Como pode existir algo errado? Muitas vezes fomos nada, Só não sabíamos dessa fragilidade. Muitas sorrisos escondem lágrimas, Na angustia da infelicidade. Só comigo que não é? Só o que foi e não é mais tem valor? Foi porque nasci mulher,

Presença

Não sabia a diferença entre a presença
e o nunca estar.
Eu não soube desde sempre,
Eu nunca estava lá.
Só algo que já passou,
Ou sempre o que está por vir.
Só alguém que não ficou,
É tudo que está em mim.
Sempre atrasada,
Adianta ou ansiosa.
Sempre errada,
Menina sem jeito, atrapalhada.
Nunca dentro de um momento,
Sempre eu mesma a reação,
Um poço de ressentimento,
Sem saber o que é perdão.
Sempre amém para os demais,
Será que assim ficou bom?
Cadê a minha paz,
Onde coloquei o meu coração?
Mas se alguém me quer,
Quem sou eu para rejeitar?
Sempre a escolhida,
Sempre a sem escolhas.
Foram embora e deixaram,
Eu não era presença,
Eu estava na bolha.
Estar aqui e no agora,
Sentindo o passado atrás,
Sabendo que sou uma forma de manifestação,
De algo muito maior.
Alivia a minha mente,
Desse apego ao nada,
Esteja sempre onde estiver,
Não viva num conto de fadas.
As mágoas e opiniões,
No fundo são só pessoas...
Faça o bem, viva leve,
O resto é passageiro.
Tudo tem seu tempo,
Tudo vale a pena,

Rei

Acaba com tudo,
acaba com isso,
Ó poderoso, rei dos reis.
Acaba com o mundo,
Ou muda tudo,
Ó poderoso, eu sou, eu sei.
Será que está assistindo,
Qual prazer isso lhe dá...
Será que mora em todo mundo,
Qual a maldade escolheu inventar.
Se fosse eu criador
Não teria criaturas sem amor.
Mas dão o nome de liberdade,
E ficam expostas as verdades.
Olho para o céu, ou para o mar.
A perfeição é tanta...
Mas está difícil caminhar.
Dói a garganta, arranha.
Se eu soubesse que é bom o lado de lá,
Eu iria agora mesmo.
Mas será a fé apenas um desespero
da vida adulta na infância.
Acaba com a dor, ou me ensina
Como ser daquelas pessoas que sabem sorrir.
Se existe uma luz de verdade aí em cima,
Ilumina o mundo e caia sobre mim.
Será a vida somente isso,
Luta e respira tão pouco.
Ainda bem que o amor é ilusão,
Pois só ilusões dão sentido a esse mundo tolo.

A morte da menina

Morreu ela.
Coitadinha.
A menina,
menininha.
E agora,
Quem enterra?
Quais as culpas,
morrem com ela?
Você que vive,
Me diga por favor,
Como é viver
Sem ser digno?
Morreu você,
Morreram todos.
Andam sem saber,
Que todos somos.
Somos culpados
e inocentes,
Sangue derramado,
Vida inconsequente.
Você é melhor que o morto?
Na escala de quem?
Você se faz melhor que outro,
só por rezar e dizer amém?
Amém uns aos outros,
malditos infelizes.
Não adianta fazer tatuagem,
nas suas cicatrizes.
Vocês a mataram,
Ela morreu sem saber.
Que com a força que ela tinha,
não dependia de vocês.
Morram nos seus casamentos,
morram nas suas rotinas,
Mas não se achem mais vivos,
Que aquela formalizada morta menina!