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Doença


Eu juro que estou tentando
Mas me recuperar de você não é nada fácil
É como se fosse uma doença
É quase algo impossível
É como voltar a andar com as próprias pernas
desapegar de tudo o que eu sabia
É como se eu morresse contigo
para reviver sozinha
É uma sensação estranha
de sair de uma idéia
limpar o coração, o pulmão, a traquéia
Não é que eu não sinta dor
Mas o que eu farei comigo?
se você segue feliz
e eu presa num labirinto
Você foi um acidente
e eu aos poucos volto a andar
sou tão culpada por ter sido inocente
e pago para me recuperar
É que os planos que eu tinha
Já não me servem para nada
Tudo o que lutei sozinha
agora é nada, eu sou nada
E eu brinco de reconstruir
a minha imagem sem a sua semelhança
eu não sei sentir
outra dor, outra lembrança
Mas por mais que eu tempo passe
ele me tira os medos agora
e como toda recuperação
cada avanço é uma vitória
E você que segue a vida
como seria comigo?
se você não fosse a dor
poderia ser meu ombro amigo
aos poucos renovo as esperanças
te deixar ir aqui dentro
dói mais do que qualquer lembrança
um passo hoje, outro amanhã
eu aceitei que te perdi
doença rara do amor
coração sofre comigo, é a minha dor.

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A morte da menina

Morreu ela.
Coitadinha.
A menina,
menininha.
E agora,
Quem enterra?
Quais as culpas,
morrem com ela?
Você que vive,
Me diga por favor,
Como é viver
Sem ser digno?
Morreu você,
Morreram todos.
Andam sem saber,
Que todos somos.
Somos culpados
e inocentes,
Sangue derramado,
Vida inconsequente.
Você é melhor que o morto?
Na escala de quem?
Você se faz melhor que outro,
só por rezar e dizer amém?
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malditos infelizes.
Não adianta fazer tatuagem,
nas suas cicatrizes.
Vocês a mataram,
Ela morreu sem saber.
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não dependia de vocês.
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Rei

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Momento

Não era esse,
Não era essa,
Não era ele,
Não era ela.
Aguarde o próximo
ônibus, emprego, amor.
Fica pra próxima,
Depois eu te ligo.
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