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Geração



Nascimento gera amor
Juventude gera dúvidas
Paixão gera fraquezas
Dúvidas geram certezas
Olhar gera esperança
Caminhar gera solidão
Alegria gera saudade
Palavras geram negação
Observar gera frustração
Ir longe gera retorno
Acreditar gera decepção
Esperança também é um vazio
que gera dor no coração
Amor gera arrependimento
malditos são todos os momentos
E tudo que é sentimento
gera mudanças nos ventos
ódio gera fracasso
Morte gera aflição
Mas morrer por dentro
gera uma fria convicção
Segunda chance gera mágoas
não tê-la gera revolta
amar gera calor
o mundo gera uma volta
Entender gera explicação
Fracasso gera empatia
O nunca gera um talvez
e 'eu fiz' gera um 'não devia'
Um caminho gera uma pergunta
o que teria sido dos outros três?
Pedir permissão faz perder a rodada
ceder-se demais é perder a vez
E tudo gera ilusão
é o único sentimento envolvido
em todas as lutas, em todas as glórias
Iludir-se é culpar-se
ser o próprio castigo
Realidade demais também gera dor
e eu preciso de um meio termo
porque tudo o que não tem amor
gera um corte na alma e um desespero
Experiência gera segurança
e faz abandonar velhos hábitos
como pensar em você de manhã
gera a ilusão, que nunca gera um abraço.

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A morte da menina

Morreu ela.
Coitadinha.
A menina,
menininha.
E agora,
Quem enterra?
Quais as culpas,
morrem com ela?
Você que vive,
Me diga por favor,
Como é viver
Sem ser digno?
Morreu você,
Morreram todos.
Andam sem saber,
Que todos somos.
Somos culpados
e inocentes,
Sangue derramado,
Vida inconsequente.
Você é melhor que o morto?
Na escala de quem?
Você se faz melhor que outro,
só por rezar e dizer amém?
Amém uns aos outros,
malditos infelizes.
Não adianta fazer tatuagem,
nas suas cicatrizes.
Vocês a mataram,
Ela morreu sem saber.
Que com a força que ela tinha,
não dependia de vocês.
Morram nos seus casamentos,
morram nas suas rotinas,
Mas não se achem mais vivos,
Que aquela formalizada morta menina!

Rei

Acaba com tudo,
acaba com isso,
Ó poderoso, rei dos reis.
Acaba com o mundo,
Ou muda tudo,
Ó poderoso, eu sou, eu sei.
Será que está assistindo,
Qual prazer isso lhe dá...
Será que mora em todo mundo,
Qual a maldade escolheu inventar.
Se fosse eu criador
Não teria criaturas sem amor.
Mas dão o nome de liberdade,
E ficam expostas as verdades.
Olho para o céu, ou para o mar.
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Mas está difícil caminhar.
Dói a garganta, arranha.
Se eu soubesse que é bom o lado de lá,
Eu iria agora mesmo.
Mas será a fé apenas um desespero
da vida adulta na infância.
Acaba com a dor, ou me ensina
Como ser daquelas pessoas que sabem sorrir.
Se existe uma luz de verdade aí em cima,
Ilumina o mundo e caia sobre mim.
Será a vida somente isso,
Luta e respira tão pouco.
Ainda bem que o amor é ilusão,
Pois só ilusões dão sentido a esse mundo tolo.

Momento

Não era esse,
Não era essa,
Não era ele,
Não era ela.
Aguarde o próximo
ônibus, emprego, amor.
Fica pra próxima,
Depois eu te ligo.
Somos passagens,
Mas eu sou flutuante.
Alguns são paisagens,
Eu sou um instante.
Nessa passagem de vida,
Nada levo comigo,