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Tanto


Eu quis tanto
Eu chorei tanto
Eu pensei tanto
Eu briguei com o mundo
Pois estava tudo errado!
Eu queria tudo
o que não foi justificado
Eu queria ser
ter, fazer
tudo de melhor para você.
Eu vivi sempre
para o futuro
Haveria um grande dia
E seria perfeito
Pura fantasia
Realidade sem direitos.
Eu quis tanto
ser tudo o que você precisava
Noites mal dormidas
lembranças assaltadas
Posso até ter feito
Tudo sempre errado
mas é meu direito
de respirar sem estar afogado
Como pode
num momento
ou um terço de uma vida
ser tudo o que  eu desejo?
e agora...a alma chora
inocência no relento
pode ir embora
porque não há amor nisso
eu queria você bem
não o fracasso de suas aventuras
eu quis quem eu conheci
não o menino sem ternura
O amor que tenho em mim
É um filho que criei
ele não vai decidir
quem está aqui, não é quem eu amei!

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A morte da menina

Morreu ela.
Coitadinha.
A menina,
menininha.
E agora,
Quem enterra?
Quais as culpas,
morrem com ela?
Você que vive,
Me diga por favor,
Como é viver
Sem ser digno?
Morreu você,
Morreram todos.
Andam sem saber,
Que todos somos.
Somos culpados
e inocentes,
Sangue derramado,
Vida inconsequente.
Você é melhor que o morto?
Na escala de quem?
Você se faz melhor que outro,
só por rezar e dizer amém?
Amém uns aos outros,
malditos infelizes.
Não adianta fazer tatuagem,
nas suas cicatrizes.
Vocês a mataram,
Ela morreu sem saber.
Que com a força que ela tinha,
não dependia de vocês.
Morram nos seus casamentos,
morram nas suas rotinas,
Mas não se achem mais vivos,
Que aquela formalizada morta menina!

Rei

Acaba com tudo,
acaba com isso,
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Acaba com o mundo,
Ou muda tudo,
Ó poderoso, eu sou, eu sei.
Será que está assistindo,
Qual prazer isso lhe dá...
Será que mora em todo mundo,
Qual a maldade escolheu inventar.
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Pois só ilusões dão sentido a esse mundo tolo.

Momento

Não era esse,
Não era essa,
Não era ele,
Não era ela.
Aguarde o próximo
ônibus, emprego, amor.
Fica pra próxima,
Depois eu te ligo.
Somos passagens,
Mas eu sou flutuante.
Alguns são paisagens,
Eu sou um instante.
Nessa passagem de vida,
Nada levo comigo,