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Estranha Mania


Eu tenho essa estranha mania
De achar que tudo vai ficar bem,
Mesmo que esse tudo
Seja algo ou alguém.
Mas as minhas forças estão poucas,
O que gerou certa fraqueza,
O que em forma de desespero
Virou  o jogo, virei a mesa.
Admiro o por do sol,
Dou a razão a quem me matou
Dou razão a quem tem ódio
Pois esse já foi amor.
Olho um monte de cinzas
Um monte de planos que foram queimados,
Essa estranha mania
de achar que o tempo seria aliado.
Nesse desespero calmo
Sem saber sorrir de verdade,
Foram ideias de leve
Que fortaleceram a fraqueza.
O jogo acabou.
Uma dança das cadeiras,
A criança que não sentou
Chorou a tarde inteira...
Mas o que ela não sabia
É que os lugares são incertos
Ela era a mais feliz,
Pois a única que estava com os pés retos.
Cinzas e solidão
Cada um no seu lugar,
Não levantam sequer a mão
Por medo de não saber segurar.
Essa estranha mania
De achar que estive em pé o tempo todo,
De achar que queimaram os meus sonhos,
E apenas eu podia correr.
Pena que eu não sabia
Que não ter um lugar era vantagem,
Que a solidão era vantagem,
Que fazer tudo por mim era vantagem.
Estranha mania de acreditar que será feliz,
Estranha mania de pensar que estavam certos,
O lugar era deles
O errado é o que não vê maldade;
O errado é o que não lê pensamentos,
O errado é o que diz as verdades.
Estranha mania de achar que as cinzas
Fossem de algo que já foi valioso,
Estranha mania de acreditar no futuro,
No lugar ao sol, em tudo de novo.

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