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Mil


Mil argumentos,
Mil xingamentos...
Mil  momento sem paz.
Mil controvérsias,
Mil paradoxos...
Mil anos atrás.
Mil conversas jogadas fora,
Mil janelas aberta...
Mil sonhos no chão.
Mil pedaços de duas pessoas,
Mil roupas e trouxas,
Mil dias a mais.
Mil anjos sem asas,
Mil taças quebradas,
Mil bocas caladas.
Mil crianças na rua,
Mil mulheres nuas,
Mil pessoas que não sabem o que fazer.
Mil letras maiúsculas,
Mil cartas sem remetentes,
Mil verdades que mentem.
Mil borrões nos papéis,
Mil amores fiéis,
Mil calos nos pés.
Mil culpas ao chão,
Mil dores no peito,
Mil vezes não!
Mil amores que se vão,
Mil espinhos em mil rosas,
Mil histórias repetidas.
Mil meninas que correm na rua,
Mil homens que conquistam,
Mil crianças crescidas brincando de amar.
Mil cairão ao teu lado,
Dez Mil a tua direita,
Mil vezes terá respirado,
o ar de suas incertezas.
Mil cartas de amor não enviadas,
Mil mares em que nunca navegou,
Se for embora hoje,
Sou aquela que mil vezes te amou.

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A morte da menina

Morreu ela.
Coitadinha.
A menina,
menininha.
E agora,
Quem enterra?
Quais as culpas,
morrem com ela?
Você que vive,
Me diga por favor,
Como é viver
Sem ser digno?
Morreu você,
Morreram todos.
Andam sem saber,
Que todos somos.
Somos culpados
e inocentes,
Sangue derramado,
Vida inconsequente.
Você é melhor que o morto?
Na escala de quem?
Você se faz melhor que outro,
só por rezar e dizer amém?
Amém uns aos outros,
malditos infelizes.
Não adianta fazer tatuagem,
nas suas cicatrizes.
Vocês a mataram,
Ela morreu sem saber.
Que com a força que ela tinha,
não dependia de vocês.
Morram nos seus casamentos,
morram nas suas rotinas,
Mas não se achem mais vivos,
Que aquela formalizada morta menina!

Rei

Acaba com tudo,
acaba com isso,
Ó poderoso, rei dos reis.
Acaba com o mundo,
Ou muda tudo,
Ó poderoso, eu sou, eu sei.
Será que está assistindo,
Qual prazer isso lhe dá...
Será que mora em todo mundo,
Qual a maldade escolheu inventar.
Se fosse eu criador
Não teria criaturas sem amor.
Mas dão o nome de liberdade,
E ficam expostas as verdades.
Olho para o céu, ou para o mar.
A perfeição é tanta...
Mas está difícil caminhar.
Dói a garganta, arranha.
Se eu soubesse que é bom o lado de lá,
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Acaba com a dor, ou me ensina
Como ser daquelas pessoas que sabem sorrir.
Se existe uma luz de verdade aí em cima,
Ilumina o mundo e caia sobre mim.
Será a vida somente isso,
Luta e respira tão pouco.
Ainda bem que o amor é ilusão,
Pois só ilusões dão sentido a esse mundo tolo.

Momento

Não era esse,
Não era essa,
Não era ele,
Não era ela.
Aguarde o próximo
ônibus, emprego, amor.
Fica pra próxima,
Depois eu te ligo.
Somos passagens,
Mas eu sou flutuante.
Alguns são paisagens,
Eu sou um instante.
Nessa passagem de vida,
Nada levo comigo,