Pular para o conteúdo principal

Espelho



Procurei a felicidade.
Procurei na inocência do primeiro amor.
Procurei na amizade que era eterna,
Procurei no sim que consentia,
Procurei no decorrer das primaveras.
Procurei no olhar de sinceridade,
Procurei nas ligações que recebia,
Procurei nos dias seguintes,
Procurei na vida que seguia.
Um dia estaria pronta.
Tudo estaria de acordo com os meus sonhos.
Um dia você amaria.
Daria valor a mulher que viveu a vida.
Mas uma coisa eu não percebia.
Quem era eu para mim mesma?
Seria eu uma carrasca,
Odiando o laço do vestido da princesa?
Seria eu uma mulher da fato,
E que do seu amor não fazia questão?
Olhava eu o mesmo retrato,
e não percebia a real movimentação.
Pessoas passavam rápido,
Algumas esbarravam em mim,
Nem todas se desculpavam,
Algumas julgavam ser o meu fim.
A verdade é que o grande via,
De fato nunca existiu.
Era tudo fantasia.
E você que nunca estivera, partiu.
Procurei a calmaria.
Procurei não chorar tanto.
Eu muito precisaria,
acalmar aquele pranto.
E o tempo passou,
nem esperou sarar os machucados.
Os amigos e falsos amores,
todos podiam ser enumerados.
Procurei a sinceridade.
Quanto tempo levei para perceber?
Não existe na realidade,
A verdade do que se vê.
Talvez hoje eu seja essa mulher,
Que segue a vida recomeçando.
A juventude já não quer,
Caber na menina que vive chorando.
Quantos lados possui uma história de amor?
A vida não é essa perfeição para todos.
Posso ter escutado a minha dor.
Mas aprendi a me livrar dos tolos.
Estou muito mais forte,
Não procuro mais nada,
Cada gota, cada corte,
Mostrou o que eu precisava.
Não era amor, não era nada.
Não era a cor escura das madrugadas.
Não era mentira, não era migalha,
Nem era você fingindo que me amava.
A vida é um quadro que a gente muda,
Paisagem em terceira dimensão.
Procurei um fonte de luz,
Em algo que já beirava a escuridão.
Procurei a felicidade.
Bastava que eu  olhasse no espelho.
Depois de tantos jogos e maldades.
Ainda passei maquiagem, e arrumei os meus cabelos.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A morte da menina

Morreu ela.
Coitadinha.
A menina,
menininha.
E agora,
Quem enterra?
Quais as culpas,
morrem com ela?
Você que vive,
Me diga por favor,
Como é viver
Sem ser digno?
Morreu você,
Morreram todos.
Andam sem saber,
Que todos somos.
Somos culpados
e inocentes,
Sangue derramado,
Vida inconsequente.
Você é melhor que o morto?
Na escala de quem?
Você se faz melhor que outro,
só por rezar e dizer amém?
Amém uns aos outros,
malditos infelizes.
Não adianta fazer tatuagem,
nas suas cicatrizes.
Vocês a mataram,
Ela morreu sem saber.
Que com a força que ela tinha,
não dependia de vocês.
Morram nos seus casamentos,
morram nas suas rotinas,
Mas não se achem mais vivos,
Que aquela formalizada morta menina!

Rei

Acaba com tudo,
acaba com isso,
Ó poderoso, rei dos reis.
Acaba com o mundo,
Ou muda tudo,
Ó poderoso, eu sou, eu sei.
Será que está assistindo,
Qual prazer isso lhe dá...
Será que mora em todo mundo,
Qual a maldade escolheu inventar.
Se fosse eu criador
Não teria criaturas sem amor.
Mas dão o nome de liberdade,
E ficam expostas as verdades.
Olho para o céu, ou para o mar.
A perfeição é tanta...
Mas está difícil caminhar.
Dói a garganta, arranha.
Se eu soubesse que é bom o lado de lá,
Eu iria agora mesmo.
Mas será a fé apenas um desespero
da vida adulta na infância.
Acaba com a dor, ou me ensina
Como ser daquelas pessoas que sabem sorrir.
Se existe uma luz de verdade aí em cima,
Ilumina o mundo e caia sobre mim.
Será a vida somente isso,
Luta e respira tão pouco.
Ainda bem que o amor é ilusão,
Pois só ilusões dão sentido a esse mundo tolo.

Momento

Não era esse,
Não era essa,
Não era ele,
Não era ela.
Aguarde o próximo
ônibus, emprego, amor.
Fica pra próxima,
Depois eu te ligo.
Somos passagens,
Mas eu sou flutuante.
Alguns são paisagens,
Eu sou um instante.
Nessa passagem de vida,
Nada levo comigo,