domingo, 18 de maio de 2014

Espelho



Procurei a felicidade.
Procurei na inocência do primeiro amor.
Procurei na amizade que era eterna,
Procurei no sim que consentia,
Procurei no decorrer das primaveras.
Procurei no olhar de sinceridade,
Procurei nas ligações que recebia,
Procurei nos dias seguintes,
Procurei na vida que seguia.
Um dia estaria pronta.
Tudo estaria de acordo com os meus sonhos.
Um dia você amaria.
Daria valor a mulher que viveu a vida.
Mas uma coisa eu não percebia.
Quem era eu para mim mesma?
Seria eu uma carrasca,
Odiando o laço do vestido da princesa?
Seria eu uma mulher da fato,
E que do seu amor não fazia questão?
Olhava eu o mesmo retrato,
e não percebia a real movimentação.
Pessoas passavam rápido,
Algumas esbarravam em mim,
Nem todas se desculpavam,
Algumas julgavam ser o meu fim.
A verdade é que o grande via,
De fato nunca existiu.
Era tudo fantasia.
E você que nunca estivera, partiu.
Procurei a calmaria.
Procurei não chorar tanto.
Eu muito precisaria,
acalmar aquele pranto.
E o tempo passou,
nem esperou sarar os machucados.
Os amigos e falsos amores,
todos podiam ser enumerados.
Procurei a sinceridade.
Quanto tempo levei para perceber?
Não existe na realidade,
A verdade do que se vê.
Talvez hoje eu seja essa mulher,
Que segue a vida recomeçando.
A juventude já não quer,
Caber na menina que vive chorando.
Quantos lados possui uma história de amor?
A vida não é essa perfeição para todos.
Posso ter escutado a minha dor.
Mas aprendi a me livrar dos tolos.
Estou muito mais forte,
Não procuro mais nada,
Cada gota, cada corte,
Mostrou o que eu precisava.
Não era amor, não era nada.
Não era a cor escura das madrugadas.
Não era mentira, não era migalha,
Nem era você fingindo que me amava.
A vida é um quadro que a gente muda,
Paisagem em terceira dimensão.
Procurei um fonte de luz,
Em algo que já beirava a escuridão.
Procurei a felicidade.
Bastava que eu  olhasse no espelho.
Depois de tantos jogos e maldades.
Ainda passei maquiagem, e arrumei os meus cabelos.




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