Pular para o conteúdo principal

Pulmão


Cansei de respirar fundo apenas para sobreviver.
Cansei de ficar no mesmo lugar,
Enquanto pessoas vem e vão o tempo todo.
Cansei de esperar na fila e aguardar a minha vez.
Cansei de observar o dia todo,
e nesses dias cabem semanas , meses e anos.
Cansei de vê-lo feliz também,
e ter que sufocar que eu te amo.
Cansei de amar mais que a mim,
Cansei de olhar o futuro e não me ver,
Cansei de me projetar em ti,
Cansei de apenas eu saber.
Cansei de mudar o foco e a direção.
Cansei de estar numa estrada para o nada.
Cansei de ser mais uma mulher que ama e não foi amada.
Esse amor será que  existe?
Que custa ser pura fantasia?
O que guarda um coração perdido?
Será que não vi o que não tinha?
E a juventude que não diz mais nada?
E a quantidade que me deixa farta?
E os exageros que não cometo mais?
O que será que me satisfaz?
Será esse cansaço, parte dessa mudança?
Será que perdemos a paciência quando amadurecemos?
Olho no espelho e o que fiz de mim?
Foram erros, erros e mais erros!
Será verdade que nunca é tarde?
Será que esse mar ainda me invade?
Será que eu serei bonificada pelas bondades?
Será um blábláblá de puras insanidades?
Será que inventaram esse falso manual?
Será viver é coisa de gente forte?
Será que se eu morrer acaba esse corte?
Cansei.
Cansei de ser sobrevivente.
O tempo todo navegante,nesse mar de gente.
Cansei de ser apenas mais uma.
Cansei de fingimentos e hipocrisias.
Cansei de adivinhar a cor do céu do meu dia.
São os outros, são feliz, é você.
Cansei de sentir algo inútil, chamado amor.
Cansei de sentir que posso morrer ao acordar.
Cansei de amar, amor pra quê? Cansei de chorar.
Mudo agora, mudo a página, o que virá?
Verso novo, dias novos, talvez novo ar.
Encho o pulmão, minha doença, prometa sarar!
Subi correndo, ouvi dizer que queria falar.
Diga não, deixo aqui meu coração, é o pulmão que tem ar.
Cansei do sufoco, coração é louco, eu só quero respirar!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A morte da menina

Morreu ela.
Coitadinha.
A menina,
menininha.
E agora,
Quem enterra?
Quais as culpas,
morrem com ela?
Você que vive,
Me diga por favor,
Como é viver
Sem ser digno?
Morreu você,
Morreram todos.
Andam sem saber,
Que todos somos.
Somos culpados
e inocentes,
Sangue derramado,
Vida inconsequente.
Você é melhor que o morto?
Na escala de quem?
Você se faz melhor que outro,
só por rezar e dizer amém?
Amém uns aos outros,
malditos infelizes.
Não adianta fazer tatuagem,
nas suas cicatrizes.
Vocês a mataram,
Ela morreu sem saber.
Que com a força que ela tinha,
não dependia de vocês.
Morram nos seus casamentos,
morram nas suas rotinas,
Mas não se achem mais vivos,
Que aquela formalizada morta menina!

Rei

Acaba com tudo,
acaba com isso,
Ó poderoso, rei dos reis.
Acaba com o mundo,
Ou muda tudo,
Ó poderoso, eu sou, eu sei.
Será que está assistindo,
Qual prazer isso lhe dá...
Será que mora em todo mundo,
Qual a maldade escolheu inventar.
Se fosse eu criador
Não teria criaturas sem amor.
Mas dão o nome de liberdade,
E ficam expostas as verdades.
Olho para o céu, ou para o mar.
A perfeição é tanta...
Mas está difícil caminhar.
Dói a garganta, arranha.
Se eu soubesse que é bom o lado de lá,
Eu iria agora mesmo.
Mas será a fé apenas um desespero
da vida adulta na infância.
Acaba com a dor, ou me ensina
Como ser daquelas pessoas que sabem sorrir.
Se existe uma luz de verdade aí em cima,
Ilumina o mundo e caia sobre mim.
Será a vida somente isso,
Luta e respira tão pouco.
Ainda bem que o amor é ilusão,
Pois só ilusões dão sentido a esse mundo tolo.

Momento

Não era esse,
Não era essa,
Não era ele,
Não era ela.
Aguarde o próximo
ônibus, emprego, amor.
Fica pra próxima,
Depois eu te ligo.
Somos passagens,
Mas eu sou flutuante.
Alguns são paisagens,
Eu sou um instante.
Nessa passagem de vida,
Nada levo comigo,