terça-feira, 13 de maio de 2014

Pulmão


Cansei de respirar fundo apenas para sobreviver.
Cansei de ficar no mesmo lugar,
Enquanto pessoas vem e vão o tempo todo.
Cansei de esperar na fila e aguardar a minha vez.
Cansei de observar o dia todo,
e nesses dias cabem semanas , meses e anos.
Cansei de vê-lo feliz também,
e ter que sufocar que eu te amo.
Cansei de amar mais que a mim,
Cansei de olhar o futuro e não me ver,
Cansei de me projetar em ti,
Cansei de apenas eu saber.
Cansei de mudar o foco e a direção.
Cansei de estar numa estrada para o nada.
Cansei de ser mais uma mulher que ama e não foi amada.
Esse amor será que  existe?
Que custa ser pura fantasia?
O que guarda um coração perdido?
Será que não vi o que não tinha?
E a juventude que não diz mais nada?
E a quantidade que me deixa farta?
E os exageros que não cometo mais?
O que será que me satisfaz?
Será esse cansaço, parte dessa mudança?
Será que perdemos a paciência quando amadurecemos?
Olho no espelho e o que fiz de mim?
Foram erros, erros e mais erros!
Será verdade que nunca é tarde?
Será que esse mar ainda me invade?
Será que eu serei bonificada pelas bondades?
Será um blábláblá de puras insanidades?
Será que inventaram esse falso manual?
Será viver é coisa de gente forte?
Será que se eu morrer acaba esse corte?
Cansei.
Cansei de ser sobrevivente.
O tempo todo navegante,nesse mar de gente.
Cansei de ser apenas mais uma.
Cansei de fingimentos e hipocrisias.
Cansei de adivinhar a cor do céu do meu dia.
São os outros, são feliz, é você.
Cansei de sentir algo inútil, chamado amor.
Cansei de sentir que posso morrer ao acordar.
Cansei de amar, amor pra quê? Cansei de chorar.
Mudo agora, mudo a página, o que virá?
Verso novo, dias novos, talvez novo ar.
Encho o pulmão, minha doença, prometa sarar!
Subi correndo, ouvi dizer que queria falar.
Diga não, deixo aqui meu coração, é o pulmão que tem ar.
Cansei do sufoco, coração é louco, eu só quero respirar!


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