Tarja Preta


Estava eu sendo eu mesma?
Estava eu sendo outra?
Tentei ser perfeita,
Mas onde moram as princesas?
Tinha eu que descer das nuvens,
Mas qual seria o tamanho do tombo?
Eu achei que o tempo ajudaria
Mas o tempo não ajuda o tempo todo.
Me perdi em meio as dores da vida,
Me perdi em meio ao medo da morte,
Me perdi sendo tantas,
Me perdi nas feridas do corte.
Estava eu sendo feliz?
Ou uma caricatura de mim mesma?
Procurava o que não sabia,
Nem sabia do que precisava.
Estava eu de frente ao espelho,
E não me reconhecia mais,
Não podia ser a mesma o tempo todo,
Mas em que lugar ficou a minha paz?
Revolta é remédio tardio,
a tarja preta do ódio,
Qual o tamanho do vazio,
Que se enche de óbvio.
Não deu certo uma vez,
Não deu certo cinco, dez e cem.
Eu nem posso respirar,
Acabaram as pausas pra chorar.
Sou eu agora quem sempre fui?
Ou a vida que me transformou?
Será que naquele tempo me perdi?
Ou tinha medo de aparecer?
Estava eu me omitindo,
Ou realmente tinha que me conhecer?
As respostas eu não tenho,
As ordens e os fatores não conversam.
Eu não quero ser para você,
Nada que me torne um regresso.
Preciso de uma nova versão de mim.
Preciso me encontrar,
e se a mulher que me aguarda não estiver afim,
Será a sua vez de aguardar.


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