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Quantos?

Quanto tempo a gente leva para crescer?
Quantos anos duram o processo?
O que chamam de amadurecer?
Quando é retroagir e quando é progresso?
Quantos sonhos cabem numa noite?
Quantas loucuras te dão o sangue na veia?
Quantas crianças inventaram as regras?
Quantas  as que sabem que é brincadeira?
Quantos colchões guardam lágrimas antigas?
Quantas mulheres ainda são meninas?
Quantas pessoas possuem o dom de ser?
Quantas pessoas se orgulhar pelo ter?
Quantas dores cabem numa história?
Quanta perfeição cabe na maquiagem?
Quantos amores foram inventados?
Quantos que amam e apenas são usados?
Quantas tranças no cabelo viram cordas?
Quantas princesas possuem pulsos cortados?
Quantos sonhos não são nada no mundo globalizado?
Quantas sextas feiras fazem um grupo de amigos?
Quantas besteiras fala quem não interessa?
Quantas pessoas julgam sem conhecer?
Quantos saltos são feitos de falso poder?
Quantos perfeitos são apenas seres humanos?
Quantas lágrimas correm para dizer um te amo?
Quantas pessoas são capazes de se realizar?
Quantas respostas são possíveis de se quantificar?

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A morte da menina

Morreu ela.
Coitadinha.
A menina,
menininha.
E agora,
Quem enterra?
Quais as culpas,
morrem com ela?
Você que vive,
Me diga por favor,
Como é viver
Sem ser digno?
Morreu você,
Morreram todos.
Andam sem saber,
Que todos somos.
Somos culpados
e inocentes,
Sangue derramado,
Vida inconsequente.
Você é melhor que o morto?
Na escala de quem?
Você se faz melhor que outro,
só por rezar e dizer amém?
Amém uns aos outros,
malditos infelizes.
Não adianta fazer tatuagem,
nas suas cicatrizes.
Vocês a mataram,
Ela morreu sem saber.
Que com a força que ela tinha,
não dependia de vocês.
Morram nos seus casamentos,
morram nas suas rotinas,
Mas não se achem mais vivos,
Que aquela formalizada morta menina!

Rei

Acaba com tudo,
acaba com isso,
Ó poderoso, rei dos reis.
Acaba com o mundo,
Ou muda tudo,
Ó poderoso, eu sou, eu sei.
Será que está assistindo,
Qual prazer isso lhe dá...
Será que mora em todo mundo,
Qual a maldade escolheu inventar.
Se fosse eu criador
Não teria criaturas sem amor.
Mas dão o nome de liberdade,
E ficam expostas as verdades.
Olho para o céu, ou para o mar.
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Mas está difícil caminhar.
Dói a garganta, arranha.
Se eu soubesse que é bom o lado de lá,
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Mas será a fé apenas um desespero
da vida adulta na infância.
Acaba com a dor, ou me ensina
Como ser daquelas pessoas que sabem sorrir.
Se existe uma luz de verdade aí em cima,
Ilumina o mundo e caia sobre mim.
Será a vida somente isso,
Luta e respira tão pouco.
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Pois só ilusões dão sentido a esse mundo tolo.

Momento

Não era esse,
Não era essa,
Não era ele,
Não era ela.
Aguarde o próximo
ônibus, emprego, amor.
Fica pra próxima,
Depois eu te ligo.
Somos passagens,
Mas eu sou flutuante.
Alguns são paisagens,
Eu sou um instante.
Nessa passagem de vida,
Nada levo comigo,