Morte


Morreu o amor.
Morreu o sonho.
Morreu até a dor,
De não contar mais um conto.
Morreu a verdade,
Morreu a mentira,
Morreu a ignorância,
Morreu a falsa sabedoria.
Morreu a criança,
Com bolhas nos pés,
Morreu bailarina,
Morreu a mulher.
Morreu a cor do céu,
Só se via cinza...
Morreu o futuro,
Porque ficou naquele dia.
Morreu o caminho,
e agora como seguir?
Morreu a fada madrinha,
O castelo de areia e a princesa teve que partir.
Morreu a areia,
O mar, a lama...
Morreu a teia,
A presa e a aranha.
Morreram os sonhos tão infanto-juvenis!
Morreu a estrada,
Nesse labirinto, como vou sair?
Morreu a saudade,
Até a tristeza teve que morrer!
Morreu tudo o que fez parte,
A lágrima, a dádiva, o querer.
Morreu tanto amor,
Mas carrego esse feto ainda em mim.
Carrego o velório, o enterro,
Até a morte não tem fim.
Morreu a saudade, a necessidade, o futuro.
Morreram as inciais, morreu minha paz,
Morreu minha cor.
Mato-me aqui, mas não deixo de seguir,
Ainda há a minha carne!
Morreu a menina, a mulher, o sonho, a festa, o céu, a lua, o castelo, a flor, o bolo, a risada, a surpresa, a saudade, a reconciliação, a dor. Morreu tudo em mim, porque em ti morreu o amor!

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