domingo, 27 de setembro de 2015

Casa de Palha

Resultado de imagem para casa de palha

O menino queria uma casa.
Podia ser de palha.
Desde que lhe acolhesse.
Nunca desejava que chovesse.
A menina não entendia.
Como alguém desejava,
Uma casa tão simples;
Num palácio ela morava.
Brincando na floresta,
Avistou o menino,
Pés no chão, sorriso largo...
Tinha sangue nas mãos.
Suas mão estavam machucadas,
tinha emendado a palha,
Já tinha construído um teto.
O que será que lhe motivava?
Ela então lhe perguntou
Como poderia sorrir?
A sua casa nunca vai existir.
Ele lhe respondeu,
Eu já sei como vai ficar,
Terá uma janela,
Esse teto para quando a chuva chegar.
Meses então se passaram,
Ela ficara encantada,
Como construiu tão bem e sem ajuda,
Uma pequenina casa.
A chuva chegou rápido.
Ele gritou: venha cá!
Ela se abrigou na palha,
Nunca mais iria reclamar.
Ao voltar pra casa,
Contou ao seu pai sobre o amigo,
Um menino criativo,
A casa de palha que era um abrigo.
O pai chegou ao lugar,
Uma estrutura malfeita.
Garoto, venha cá,
Porque morar nessa casa feia?
Moço, é o que eu tenho,
e diz muito sobre o que eu sou.
Se hoje eu construo uma casa,
Amanhã posso ser doutor.
Minha filha tem tudo,
Mas prefere ficar aqui,
Brinca nesse chão sujo,
E volta pra casa feliz.
Vamos morar comigo,
Eu te ofereço abrigo,
Não tenho filho adotivo,
E minha filha pede um irmão.
O menino sorri,
Vai crescendo ali,
Mas o que sente por ela,
Não é só amor fraternal.
Não podemos namorar,
Tenho um amor no lugar,
Amo você de coração,
Mas é um amor de irmão.
Menina tão admirada,
Esse amor não serve pra nada,
Vamos na casa de palha,
Onde costumávamos brincar.
Cadê a minha folha?
Sumiu faz mais tantos dias,
Garoto me ajude a procurar.
Uma rosa no barro,
Já havia caído o telhado,
Da velha casa de brincar.
Se não me teve amor,
Porque daqui me levou?
Menina que não soube amar.
Não tive culpa,
Vou viver sem ninguém,
Mas tenho um pai que não sabe,
Que contigo tive que acabar.
O pior dos meus crimes,
Foi na inocência mostrar,
O que era tão simples,
Mas me fazia sonhar.
Pai perdoa o que eu fiz,
Não há amor que valha,
Tanta desgraça que causei,
Enterre-me com ela, na velha casa de palha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Presença

Não sabia a diferença entre a presença e o nunca estar. Eu não soube desde sempre, Eu nunca estava lá. Só algo que já passou, Ou semp...