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Mostrando postagens de Março, 2016

Indiferença

Há um tempo parei de pensar.
Não que eu não precise,
Mas é que aquele muito pensa,
Simplesmente não sobrevive.
A sua indiferença foi uma porta,
Que o vento bateu com força.
Tudo o que realmente me importa,
Pra você é coisa a toa.
Há um tempo eu comecei a sentir,
E prestar atenção ao que eu sinto.
Ás vezes eu falo que está tudo bem,
Mas em todas essas vezes eu minto.
Há um tempo desisti de amar,
Não que não acredite no amor.
Mas ele não justifica toda a lágrima,
Ele causou toda a dor.
Há um tempo eu penso que sei viver,
E respiro fundo diante da dificuldade.
Ninguém entra em minha mente,
Todos são superficiais na minha realidade.
Há um tempo eu esqueci que te amo,
E quando eu lembro, eu sinto e não penso.
Há um tempo eu trabalho a indiferença,
Sou indiferente ao meu próprio sentimento.
Se para você eu nunca fui nada,
Não me resta mais palavras.
Não se fala ao coração indiferente,
O que qualquer outro coração sente.
Há um tempo parei de planejar,
De ansiar por qualquer mudança.
É como …

Não é

Não é que eu seja forte,
Eu fraquejei muitas vezes.
É que eu pareço ser...
Para quem não me conhece.
Não é que eu seja feliz,
É que eu me distraio rápido.
Não é que não tenha cicatriz,
É que eu saio do jogo fácil.
Não é que antes de dormir,
Eu nem lembre que você exista.
É que eu procuro não me iludir,
Para que de tudo eu não desista.
Se eu pudesse, apenas essa noite,
Entraria dentro da sua  mente e coração.
Se você se lembrasse do meu sorriso,
Com o mesmo carinho seria bom.
É que eu sei que não me tem em seu peito,
E tento amenizar a minha dor.
Não é que eu não te ame mais,
É que eu acho que só eu sinto amor.
Ás vezes eu fujo da realidade,
E você me ama apenas mais um dia.
Mas quando o sol vem com a verdade,
Eu lembro que esqueci da sua companhia.
E assim, entre ser forte e te amar,
Eu fico no meio do caminho.
Não é que eu vá te esquecer completamente,
É que eu tento, eu e meu coração vazio.

Querer

Eu quis o mundo. Ponto.Pronto.
Eu quis tudo de uma vez.
Era um desespero para  ser feliz,
Que eu nem segui a minha lei.
Eu quis tudo, e fui atrás.
Não há nada de errado nisso.
E eu queria sempre mais,
Querer era meu compromisso.
Fui atropelada pelo tempo,
De uma forma fatal,
Morreram muitos sonhos,
E eu não sabia o que era real.
Eu quis, ainda assim, tentar.
Não soube ler nas entrelinhas.
Era tempo de esperar,
A vida gritava, eu corria.
Querer nunca foi o problema,
Queremos tudo o tempo todo,
Mas saber é o grande dilema,
Saber se queimar ao mexer com fogo.
Hoje eu não quero mais nada,
E nem é porque eu não posso mais,
É que foram muitas lágrimas,
Muitas correntezas e vendavais.
Eu escolhi parar e ver,
O que diz o mundo ao redor,
Até porque preciso aprender,
Pois querer por querer, eu já sei de cor.

Nãos

Sou feita de muitos nãos.
Nem meio termo, nem talvez.
Quebraram meu coração,
E ele mesmo se refez.
Sou apresentada a frustração,
De mil maneiras nessa vida,
Caí em mil abismos,
Todos foram, sem despedidas.
Sou feita de muito pouco,
Pouco amor, muitas promessas.
Tiveram a necessidade de me enganar,
Mas esse engano, já não interessa.
Sou feita de muitos sonhos,
Nem realidade, nem fantasias.
A noite acontecia no meu dia.
Era pouco, mas era o que eu tinha.
Sou feita de poucos amigos,
Alguns eram bons, outros perigo.
Foram embora, sem benefícios.
A solidão é mesmo um aviso.
Sou feita de não me quer,
Bem me quer, nunca me quis.
Até que ponto ter esperança,
não aumenta a cicatriz?
Sou feita de muita vontade de ser,
Mas vi muitos sendo outros,
Para que pudessem ter,
Igual a mim, eram poucos.
Sou feita de portas fechadas,
Sonhos pisoteados na minha cara.
Sorte tem quem nem nasceu,
Pior ainda, para quem já morreu.
Sou feita de muitas mortes,
Morreram sonhos, velei meus planos.
E por isso tenho…

Permita-me

Você não me conhece,
Embora tenha me conhecido.
Não me reconheceria.
Eu não teria me reconhecido.
Queria me apresentar a ti,
Como alguém que não conhece,
Para que conhecesse essa,
Que a essas linhas escreve.
Essa sou eu agora,
Um novo eu, um novo jeito.
Ainda fico vermelha com elogios,
Ainda falo mexendo nos cabelos.
Ainda escondo segredos nos olhos,
Mas muito que já vivi,
Me ensinou o que deve ser compartilhado,
E o que devo deixar ir.
Eu queria que me visse hoje,
E sorrisse esquecendo os recados,
O tempo pode ser a chave mestra,
Que abre as portas do passado.
Eu não sou saudosista,
Caibo bem dentro de mim,
A minha alma foi ao inferno,
Para voltar e ficar aqui.
Sabe, eu queria te contar coisas simples,
Compartilhar as cores do meu mundo,
E se eu falasse coisas tristes,
Depois de chorar, mudaria de assunto.
Eu queria tanto ter a chance com você hoje,
Depois de morrer aquela menina inocente,
Seria a coroação de toda essa história,
Seria da vida, o mais belo presente.
Não quero ser mel…

Café

Me dê um café para viagem.
Eu não tenho tempo para parar.
Extratos de banco e futilidades,
Roubam tudo que eu deveria pensar.
Não fui ensinada sobre relacionamentos,
Os amigos estão por aí afora,
Não tenho mais idade, nem tempo.
Queria te ver, mas fica para outra hora.
Não sou mais tão jovem para namoro de portão,
Nem tão velha para desistir da vida.
Mas esse meio termo que eu vivo,
Me faz viver sempre na tênue linha.
É que eu fui tão sonhadora ...
De que tanto sonhar virei realista.
Conforme as coisas não aconteceram,
Me tornei mais cética na vida.
Mas quando eu vejo um amor de adolescentes,
Ou o sorriso sincero de uma criança,
sinto que deixei um pedaço meu,
onde morreram as esperanças.
Não se pode voltar no tempo,
Para amar e sentir mais intensamente,
É que agora é tudo tão vazio,
Que eu fujo em minha mente.
Deixo o café esfriar,
Esfria também toda a minha pressa,
É que eu lembro que a vida passa,
E que preciso viver o que interessa.
Não há mais tempo a perder,
As escolhas também …

Sortilégio

Talvez viver seja isso,
um eterno abrir mão.
Hoje foi o primeiro dia,
Que acordei sem você no coração.
Estranho esse vazio,
Mas ele já era esperado.
Apenas não espero mais nada,
Nem tenho ninguém ao meu lado.
Eu lutei para que a vida fosse
um pouco doce para mim,
Mas eu nem respirei,
e minha dor nunca teve fim.
Não é culpa sua nada disso,
Os meus sonhos eu alimentei,
Mas na verdade eram monstros,
A minha maior dor eu mesma criei.
Tudo foi tão perfeito para você,
e nem sequer chegou minha vez.
Eu te amaria eternamente,
Porque até agora eu só te amei.
Talvez o amor seja isso,
Uma espera por nada o tempo todo.
Se hoje está feliz,
Não me resta nada a não ser o novo.
E se o novo não vier,
Eu não vou julgar meu coração.
Sou como toda mulher,
Vivo como se não doesse esse seu não.
Nem me ouvir você quis,
Eu não tive esse privilégio.
Talvez eu seja feliz,
Mas até la, sem amor, sem sortilégio.

Novo dia

As vezes um pouco de paz.
As vezes um pouco de ar.
As vezes um pouco de fé,
As vezes basta esperança.
Será que fica mais fácil?
Porque não foi fácil até agora.
Será que me serve um café,
ou devo voltar outra hora?
Eu só queria sentir o sol,
Sem queimar minhas certezas.
Eu só queria esquecer tudo,
E ser forte em minhas fraquezas.
Eu vou me retirar com meu amor,
Vejo que perdemos o nosso encanto.
Eu vou chorar várias vezes,
Para não viver chorando.
As vezes eu sou forte,
Mas nunca é opção minha.
As vezes eu quero acabar com a dor,
Para não me ver mais tão sozinha.
Foi tanto que eu quis,
Que eu perdi minhas energias.
As vezes um pouco de amor próprio,
E esperar um novo dia.

Precipício

Precipício. Desespero.
Eu caí ao longo da vida.
Mexo nos cabelos,
Mas não mexo as utopias.
Eu sabia que seria
terrivelmente amor,
Mas até aí,
Saber não é sentir a dor.
Os dois pés, de uma vez,
Eu nem tentei voar,
As minhas asas já haviam caído,
Um anjo sem auréola.
Esse tempo tão cruel,
essa vida que não espera.
O amor que eu senti,
A mim também desespera.
Eu refém do amor,
Você dono do jogo.
Mas você me ignorou,
E acabou meu tempo.
Se soubesse o que eu senti,
Pelo menos eu tentaria.
Mas saber que não sabe de mim.
Não

Sua Verdade

Como será que é a vida,
De quem nunca perdeu tudo?
De quem sempre acertou?
De quem sempre soube amar?
De tudo que há nessa vida,
Eu só queria que o meu coração
Não tivesse sido quebrado,
O amor não fosse roubado.
Será que há dois lados?
Os que tem a vida plena,
E os que sofrem condenados?
Seria a vida assim pequena?
Eu queria ter um gelo no coração,
Seguir assim sem saber.
Queria ignorar qualquer canção,
Sem amar e sem sofrer.
O que tem a vida para mim?
O que ele me reservou?
Você me tirou tudo,
Porque eu só tinha amor.
Eu queria sentir o gostinho,
Dessa tal felicidade.
Mas você levou os meus sonhos,
Quando me apresentou a sua verdade.

Escada de ilusão

A ilusão é uma escada,
Que sozinha eu subi.
Um degrau por vez,
Para de uma vez cair.
A ilusão é pessoal,
E cada um carrega as suas,
Há quem se iluda, há quem sonha,
Há quem transfira suas culpas.
Eu subi cada degrau,
E para onde mesmo eu queria ir?
Esperei fingindo que não,
Porque esperei dentro de mim.
Ilusão é decepção,
E isso é inevitável,
Mas quem acalma o coração,
Quando a alma se torna violável?
Você arrancou minhas entranhas,
Rasgando com cuidado a minha pele,
Expôs todo o meu sentimento,
Minha alma não é mais leve.
Eu cai daquela escada,
Que nunca me levou a lugar algum.
Iludir-se é se opor ao não,
Que vem de sonhos incomuns.
E agora, qual a justiça?
O que a vida pode me dar?
Eu morta, você ileso.
Porque a ilusão é minha falta de ar.
Agora estou no chão.
Talvez aqui seja mais seguro.
Confundi sonhos com certezas,
Você nunca saberá o que é ilusão e o que é fraqueza.