Porão

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Eu guardei coisas.
Haviam várias coisas estranhas numa caixa,
Nem reconheci que eram minhas.
Eu guardei mágoas,
Haviam várias dentro do meu coração,
Nem sabia da minha capacidade de odiar.
Guardei o que sentia,
Deixava para outra hora,
Sempre um novo dia,
Sempre outras história.
Me iludi achando que os dias eram iguais.
Porque essa é uma armadilha do tempo,
Fazer você achar que tudo bem estar só,
E não se resolver por dentro.
Guardei uma centena de imagens,
Nem sei qual delas aconteceu.
Guardei as malas de uma viagem,
Que desisti porque anoiteceu.
Guardei um amor no coração,
Guardei o ódio todo dia.
Achei que tudo bem não ser feliz,
Se ninguém é, por que eu seria?
Guardei a minha vida para depois.
Depois eu fui vendo todo mundo longe.
Guardei o carvão embaixo do travesseiro,
Achando que ele acordaria diamante.
Eu guardei culpas.
Que bobagens, nem eram minhas.
Eu me achei a pior pessoa,
Apenas por ser só minha.
Fiz uma limpeza no porão.
Tirei de lá as tralhas, coisas e roupas sujas.
Tirei também do meu coração,
Aqui só fica o que me modifica.
Joguei fora meu orgulho, até as minhas tentativas em vão.
Se for para ser feliz um dia,
Até das minhas certezas abro mão.
Que alivio não ter certezas, nem mágoa, nem rancor.
Assim como frio não entra, apenas o que sai é o calor.
Só entra o que eu permito, Só sai o que eu tenho.
E dona de tudo em mim,
Limpei tudo para um recomeço.
Apago as luzes do passado,
De vez em quando vou entrar lá,
Mas o presente é onde eu moro,
E nessa casa eu quero ficar.

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